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El Nino, La Ninã e a bagunça climática

  Seu professor de Geografia com certeza já tentou te ensinar isso, mas você realmente sabe como El Ninõ  e la Ninã afetam a sua vida diária além do conteúdo da sua prova? A ClimatEasy está disposta a te explicar de maneira simples.  

Primeiramente, é preciso saber que El Ninõ e La Ninã são fenômenos climáticos, atividades que acontecem na atmosfera igual a chuva, ciclone, tornado e efeito estufa. No nosso cotidiano chamamos essas ações naturais de tempo, quando os mesmos fenômenos ocorrem repetidamente o denominamos de clima. Logo, quando nos referimos a tempo falamos “Está chovendo” e quando mencionamos o clima dizemos “Aquela cidade é quente”, porque na suposta cidade ao longo de 10 a 30 anos houve o padrão de altas temperaturas.   

Imagem de Beduka

                           La Ninã  

La Ninã, responsável por invernos rigorosos e secos ao redor do mundo, ela é considerada uma mudança ou anomalia climática, chega em um intervalo de dois a sete anos e bagunça toda padronagem de fenômenos do clima, que já falamos lá em cima. Essa ação da natureza ocorre a partir da intensificação dos ventos alísios (aqueles que sopram de leste para oeste) que esquenta as águas do Oceano Pacifico Oeste, próximo da Oceania e resfria as águas do Oceano Pacifico Leste, perto da América do Sul, causando desnível entre Pacifico Ocidental e Oriental.

 

          Mapa para melhor visualização

  No Brasil, cada região é afetada de um modo diferente. Observa-se muitas chuvas na Amazônia, elevando o volume de água de rios e causando enchentes no Norte, também chove muito no Nordeste e isso ajuda a região semiárida, mas no Sul ocorre aumento de temperatura, porém no Sudeste e Centro-Oeste as consequências são imprevisíveis, estando secas, inundações e tempestades na lista de possibilidades. Entretanto, o seu bolso também é atingido, porque com a La Niña atrapalhando o clima a produção de alimentos também é prejudicanda, por isso o preço da comida sobe. 


El Niño 

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O El Ninõ, é um fenômeno variável e irregular, ou seja, diferente de outros acontecimentos que se podem prever e antecipar ele acontece sem um padrão exato. Assim, os cientistas não podem dizer com muita precisão em que ano o fenômeno irá ocorrer, mas apenas existem estimativas que, em geral apontam para uma regularidade de entre 2 a 7 anos, com uma duração média de 3 a 7 meses.  


Como já foi falado, os ventos alísios são de grande importância para o resfriamento das águas do mar. Pois é com este que  as massas de vento quente  são empurrados,  permitindo que as águas resfriadas do profundo oceano subam. Podemos entender que, o bom funcionamento, ou o funcionamento esperado do vento alísio, é chamado de ressurgência. Vale pontuar também que a ressurgência permite não só um controle na temperatura, como também traz nutrientes para a costa marítima,  permitindo assim grande concentração e vinda de peixes à superfície. 


Mapa esquemático dos ventos e sua influência.  ( foto: Brasil Escola) 



E onde o El Ninõ entra nessa história? 


Ao contrário do La Ninã, que "resfria" o pacífico, o El Nino vai “esquentar”, já que ele muda os padrões de movimentação esperados, do vento.De que forma? Com o enfraquecimento do principal responsável por toda essa movimentação de massa, os ventos alísios.

Pense que se é o vento alísio que dá um empurrãozinho nessa umidade, quando ele não tiver força suficiente para levar esse vento, a água quente vai ficar toda acumulada na costa. Em especial isso acontece nas Américas. Também podemos pensar que, se diminui a força do vento alísio, diminui a ocorrência de ressurgência. E com menos ressurgência, menos água do mar  resfriada, menos nutrientes, menos peixes e menos atividade de pesca, de forma a desequilibrar o funcionamento de alguns setores da economia. 


El Niño: efeitos no início do ano (Foto: Climatologia UFF)

Por mais que La Niña tenha atribuições negativas, por ser considerado o oposto do El Niño, é o El nino que geralmente apresenta fortes impactos no funcionamento do ambiente. Na região norte do nosso país, por exemplo, aumenta a duração do tempo de seca, contribuindo para o aumento de incêndios ambientais. 

Na região centro oeste, secas graves também são vistas. E causa, além disso,  fortes chuvas na região sul e sudeste. Vale observar que, quando falamos em estiagem, devemos pensar nos efeitos, para os meios de produção dependentes diretamente das chuvas, como a agricultura,  que se enfraquece durante esse período. Causando marcantes prejuízos a todos que dependem de alguma atividade agrícola para trabalhar e sobreviver. E pela América do Sul, provoca secas nas áreas do Peru e Bolívia, como também reduz as chuvas na Colômbia e aumenta a vazão dos rios no Peru e Equador.

   Dessa forma, podemos perceber uma relação entre coisas que nem parecem ter uma conexão, como os fenômenos climáticos e a seca, de tal jeito que tráz uma grande influência nas nossas vidas! 

 
                                                                                                  Por Gabriela Pitameia e Mikely Souza

                                                                Referências: 

Rocha, Cíntia.https://youtu.be/FaukTkYsLCI. 20 de julho,2022  

Azevedo, Julia.https://www.ecycle.com.br/la-nina/. 22 de julho,2022 

BBC News. https://www.bbc.com/portuguese/geral-58966796. 23 de julho,2022 

Daoud, Miguel.

https://agroadvisor.com.br/la-nina-pode-afetar-producao-e-elevar-precos/#:~:text=O%20sistema%20clim%C3%A1tico%20La%20Ni%C3%B1a,Asi%C3%A1tico%20%C3%A0%20Am%C3%A9rica%20do%20Sul. 23 de julho,2022   


Azevedo,Julia. “El Niño: o que é, como ocorre e consequências” Disponível em: https://www.ecycle.com.br/el-nino/ Acesso: 25/07/2022


Azeredo, Thiago. “El niño e la niña”Disponível em: 

http://educacao.globo.com/artigo/el-nino-e-la-nina.html]Acesso: 27/07/2022


Marcilio, Ricardo. https://www.youtube.com/watch?v=jQ-aI-REsxQ 

Acesso: 27/07/2022


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