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Entre Tapas e Beijos: Políticas ambientais e governos

 Você já parou pra pensar se os governos sempre respeitaram e se respeitam as políticas ambientais?

O fato é que, da mesma forma que temos políticas ambientais tão bem formuladas, temos um descaso na sua aplicação e enfraquecimento de sua fiscalização.  E quando se critica o ministério e as ações do meio ambiente está sendo criticado a falta de aplicação e até a perigosa flexibilização dessas leis, além do esquecimento de crimes ambientais não punidos devidamente  especialmente ocorridos nos últimos anos sobre a direção do atual governo.  Isso sem falar das suas constantes tentativas de destruir as políticas ambientais. 

Os retrocessos não iniciaram no governo Bolsonaro, as tentativas de flexibilização e impedimento do funcionamento de órgãos e políticas já vem ocorrendo há algum tempo, mas a partir de 2019 constatamos a concretização dessas vontades, de destruir todo o esforço feito para a preservação. Visto que é claro e difundido pelo presidente e sua visão de que  proteção ambiental seria um atraso, e estaria contrário ao desenvolvimento econômico. 

Toda essa, flexibilização e omissão além de aumentar a destruição do meio ambiente, fragiliza  a população, especialmente as que vivem em áreas de preservação, constantemente atacadas, tendo suas realidades ignoradas, também ameaça às relações internacionais, visto que a comunidade mundial tenta alcançar respostas sustentáveis para o futuro, e vê os países que se afastam desses ideais como ameaça e esses são minimizados nos processos econômicos externos, além de até perder a possibilidade de receber recursos para auxiliar na proteção de áreas desmatadas, como a Amazônia.  A autodestruição do ministério do meio ambiente também levou consigo a credibilidade e força dos órgãos que atuavam junto a ele, como o Ibama e seus fiscais que vem sendo, constantemente disponibilizados, por exemplo.

Não é necessário cursar direito para conhecer e ir atrás daquilo que é garantido por lei. Política é um assunto tão dificultado que o que recebemos, às vezes é uma chuva de informações desnecessárias que não levam a lugar nenhum, geralmente utilizadas para desviar a atenção daquilo que realmente importa. A questão ambiental, é urgente, é necessária e deve ser tratada como prioridade. Ao avalizar aqueles que colocamos no poder devemos questionar sempre suas políticas e intenções com o meio ambiente, e se o assunto  não for sequer  mencionado as intenções desse candidato devem ser severamente questionadas. Não  haverá ordem e progresso enquanto não se busca preservar aquilo que faz parte do nosso território. Que se fortaleçam as políticas e órgãos que preservam não os que destroem! 

Por Mikely Souza

                                                              Referências:

Passarinho, Nathalia. “Como política ambiental de Bolsonaro afetou imagem do Brasil em 2019 e quais as consequências disso.”Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-50851921 Acesso: 26/05/2022


Pajolla, Murilo. “Com Bolsonaro, política ambiental chegou ao ‘fundo do poço’, diz ex-presidente do Ibama”. Disponível em: https://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2022/02/com-bolsonaro-politica-ambiental-chegou-ao-fundo-do-poco-diz-ex-presidente-do-ibama/Acesso: 29/05/2022 



Dantas, Carolina. “Nova lei do licenciamento ambiental: entenda os próximos passos e o que está em jogo”

Disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2021/05/13/nova-lei-do-licenciamento-ambiental-entenda-quais-sao-os-proximos-passos-e-o-que-esta-em-jogo.ghtml

Acesso: 29/05/2022


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