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Blu Volta para Bahia

 Histórico! Depois do nascimento de dois filhotes de Ararinha Azul em 2021, a espécie vai começar a voltar a seu habitat natural na caatinga baiana em junho após duas décadas da sua declaração de extinção. 


Minha terra tem palmeiras

Onde canta o Sabiá; 

As aves, que aqui gorjeiam, 

Não gorjeiam como lá. 

Nosso céu tem mais estrelas, 

Nossas várzeas têm mais flores, 

Nossos bosques têm mais vida, 

Nossa vida mais amores.

Dias, Gonçalves - Canção de Exílio 

Canção de Exílio é um dos poemas mais famosos escritos por Gonçalves Dias no século XIX, quando o poeta estava recluso do seu país em Portugal. Entretanto, o Brasil atualmente não tem tantas palmeiras, muito menos a quantidade de aves que moravam aqui antes. Tal fato nos faz pensar : onde está toda aquela biodiversidade brasileira do passado?

Simples, a maior parte foi extinta. Espécies de animais desaparecerem da Terra é comum na natureza, é um processo que envolve adaptação e seleção natural, mas a maneira como ocorre hoje em dia -em grande quantidade- é extremamente  problemática por ser  influenciada pela ação humana, como caça ilegal e tráfico de aniamais.

A caça ilegal é um dos principais intrumentos para o tráfico de animais acontecer, ela consiste em tirar um animal silvestre do seu habitat natural para comercializa-los. Normalmente, as causas deste crime estão relacionadas com as características socioeconômicas de um país com alta biodiversidade e taxa de desigualdade social, muito parecido com a situação atual do Brasil. 

Blu volta para Bahia             

Jade, para desse modo progredir a espécie. A narrativa da obra cinematográfica não é tão diferente da história de outras araras azuis, pois esse animal é um exemplo de categoria em extinção.

Esse grupo era nativo da Caatinga, em uma região que é conhecida por ser seca no Norte da Bahia. As áreas de floresta carimbeira próximas de rios eram seu habitat, porque lá encontravam alimentos e ocos de árvores para acasalar. Infelizmente, elas sumiram da natureza por causa do tráfico de animais silvestres.    

Pesquisadores perceberam que no final dos anos 90 havia apenas um macho de ararinha azul na natureza. Especialistas tentaram reintroduzir uma fêmea no habitat natural como objetivo de reprodução, mas ela desapareceu e foi considerada morta. Depois da morte do macho, foi declarada a extinção da espécie em 2000. 


Ararinhas Azuis adultas

Entretanto, muitas ararinhas foram criadas em cativeiro ao longo dos anos. Ao decorrer de 2020, 52 delas foram soltas em uma reserva ambiental na Bahia, durante o ano passado nasceram os primeiros filhotes, mas apenas um sobreviveu. No dia 11 de junho, um grupo de 8 animais vão ser libertados na Caatinga para a reinserção. Lembrando que tudo isso foi possível graças ao trabalho de vários cientistas (que impulsionaram o projeto de aclimatização) ONGs brasileiras, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Association for the Conservation of Threatened Parrots.  

Filhote de Ararinha Azul

Portanto, podemos ver que o país não é o mesmo de antes, não temos a mesma quantidade de plantas nativas e muitos dos animais típicos daqui já não são mais encontrados, mas com o trabalho em conjunto de várias instituições é possível recuperar um pouco do que faz o Brasil ser o nosso Brasil.Além disso, é importante ressaltar o quão valioso é conhecer e denunciar crimes ambientais, para preservarmos o que ainda resiste da nossa natureza.                


Referências:  


Azevedo, Julia.https://www.ecycle.com.br/trafico-de-animais/. 01 de junho,2022  

Figueiredo,Flávia https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/filme-rio-trafico-animais-silvestres. 3 de junho,2022 

Terra da Gente https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2020/03/03/ararinha-azul-conheca-a-historia-da-ave-na-natureza.ghtml 05 de junho,2022



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